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Saúde realiza curso de capacitação para determinação de morte encefálica
O evento, que integra a programação do Setembro Verde, é voltado para médicos intensivistas das redes pública e privada e contou com o apoio do Núcleo de Educação Permanente da SES
Terça-Feira, 28 de Setembro de 2021

A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Central de Transplantes e em parceria com a Organização de Procura de Órgãos (OPO) e o Banco de Olhos de Sergipe, realiza nesta terça-feira, 28, no Centro de Simulação Realística de Medicina da Universidade Tiradentes, o Curso de Capacitação para Determinação de Morte Encefálica. O evento, que integra a programação do Setembro Verde, é voltado para médicos intensivistas das redes pública e privada e contou com o apoio do Núcleo de Educação Permanente da SES.

Divido em teoria e prática, o curso tem como objetivo capacitar os profissionais na realização do diagnóstico de Morte Encefálica, segundo informou o coordenador da Central de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, o primeiro a palestrar, abordando a temática da legislação sobre doação de órgãos. Em sua fala, destacou a importância do diagnóstico de Morte Encefálica e do acolhimento das famílias de possíveis doadores.

A médica em terapia intensiva do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), do São Lucas e da OPO, Mirna Ribeiro Bicudo Crempel, ministrou palestra sobre manutenção do potencial doador de órgãos. “A proposta é a de contribuir para que nossos colegas entendam como é feita a manutenção desse potencial doador, com a preservação dos órgãos para que estes estejam com a viabilidade boa no momento que a família optar por doá-los”, explicou ela, salientado que o médico atua enquanto é feito o protocolo de Morte Encefálica, realizando a manutenção terapêutica adequada para que o paciente esteja estável e em condições hemodinâmicas necessárias, em caso de uma possível doação.

O neurologista Larissy Lima Santos palestrou sobre como identificar, notificar e diagnosticar o potencial doador, temática que absorveu bastante a atenção dos médicos participantes do curso. Salientou que o potencial doador pode ser qualquer pessoa que tenha o diagnóstico de Morte Encefálica fechado, que deixa de ter as funções cerebrais de tronco-encefálico viáveis. O diagnóstico, segundo ela, se dá a partir de três testes, sendo dois clínicos, realizados por médicos diferentes e experientes, e um de imagem.

Setembro Verde

A campanha nacional que mobiliza a sociedade para a doação de órgãos e tecidos se estenderá até o dia 30 de setembro, quando os Arcos da Orla serão iluminados de Verde, segundo informou Benito Fernandez, acrescentando que lá estarão as equipes da central de Transplantes de Sergipe, da OPO e do Banco de Olhos. “Juntos, vamos agradecer a Deus e à sociedade pelo lindo Setembro Verde que tivemos neste ano de 2021”, declarou.

Na sua avaliação, a campanha apresenta um balanço positivo. “Toda vez que a gente consegue ventilar o assunto, a sociedade responde muito favoravelmente, por isso nosso sonho é que todos os meses do ano sejam verdes, para que as pessoas tomem consciência do seu papel no processo, seja o profissional de saúde, instrumentalizado, realizando o diagnóstico, acolhendo os familiares, e a família, por sua vez, conhecendo os seus direitos, autorizando a doação de órgãos”, reforçou.

Benito Fernandez lembra que após a morte o corpo perece, entra em decomposição e neste caso, não há benefício para outros que ficam e aguardam na fila pela oportunidade de uma nova vida. Destaca que quando a doação é feita, um pedaço do doador fica em alguém e promove melhor qualidade de vida para aquele que recebeu um órgão ou um tecido humano. “Isso sim, faz sentido para mim”, disse.

Fernandes informou que há atualmente no Brasil 46 mil pessoas inscritas na lista de espera por um órgão, sendo que destes, mais de 26 mil aguardam por um rim, o que indica que a insuficiência renal crônica é um problema sério no Brasil, em Sergipe e no mundo. “Daí o nosso anseio para que o Hospital Universitário realmente comece a fazer o transplante renal aqui em Aracaju”, exprimiu.

Informou que o processo está praticamente finalizado no quer tange a parte legal, que o Hospital Universitário está habilitado pelo Ministério da Saúde desde o ano passado e que o HU está contratualizado pelo município de Aracaju para fazer o transplante, mas que a equipe médica está concluindo a tutoria e em outubro segue para treinamento no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Realidade local

Sergipe tem atualmente mais de 1.300 pacientes fazendo alguma modalidade de hemodiálise e, considerando que entre 40% e 50% estejam inscritos para transplantes, há cerca de 650 pessoas esperando por um rim em Sergipe. A Organização Brasileira de Transplantes de Órgãos estima que no Estado há uma necessidade anual de 18 transplantes de coração e 18 de pulmão. “Então a gente precisa realmente começar a tratar os sergipanos aqui no Estado, próximo da família, próximo dos amigos, para que a pessoa tenha uma recuperação melhor. Quando o paciente vai para outro Estado fica longe dos entes queridos e isso influencia na recuperação”, expressou.

Atualmente, o único transplante que Sergipe realiza é o de córnea, como salientou Benito Fernandez, acrescentando que apesar disso, houve queda na doação do órgão, ampliando em muito o tempo de espera pelo transplante. Em 2019, esse tempo era de nove meses. Agora, de dois anos e meio. “A gente precisa oferecer à família a oportunidade da doação porque não era para termos fila, mas estoque de córnea”, concluiu Benito Fernandez.

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Saúde realiza curso de capacitação para determinação de morte encefálica
O evento, que integra a programação do Setembro Verde, é voltado para médicos intensivistas das redes pública e privada e contou com o apoio do Núcleo de Educação Permanente da SES
Terça-Feira, 28 de Setembro de 2021

A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Central de Transplantes e em parceria com a Organização de Procura de Órgãos (OPO) e o Banco de Olhos de Sergipe, realiza nesta terça-feira, 28, no Centro de Simulação Realística de Medicina da Universidade Tiradentes, o Curso de Capacitação para Determinação de Morte Encefálica. O evento, que integra a programação do Setembro Verde, é voltado para médicos intensivistas das redes pública e privada e contou com o apoio do Núcleo de Educação Permanente da SES.

Divido em teoria e prática, o curso tem como objetivo capacitar os profissionais na realização do diagnóstico de Morte Encefálica, segundo informou o coordenador da Central de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, o primeiro a palestrar, abordando a temática da legislação sobre doação de órgãos. Em sua fala, destacou a importância do diagnóstico de Morte Encefálica e do acolhimento das famílias de possíveis doadores.

A médica em terapia intensiva do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), do São Lucas e da OPO, Mirna Ribeiro Bicudo Crempel, ministrou palestra sobre manutenção do potencial doador de órgãos. “A proposta é a de contribuir para que nossos colegas entendam como é feita a manutenção desse potencial doador, com a preservação dos órgãos para que estes estejam com a viabilidade boa no momento que a família optar por doá-los”, explicou ela, salientado que o médico atua enquanto é feito o protocolo de Morte Encefálica, realizando a manutenção terapêutica adequada para que o paciente esteja estável e em condições hemodinâmicas necessárias, em caso de uma possível doação.

O neurologista Larissy Lima Santos palestrou sobre como identificar, notificar e diagnosticar o potencial doador, temática que absorveu bastante a atenção dos médicos participantes do curso. Salientou que o potencial doador pode ser qualquer pessoa que tenha o diagnóstico de Morte Encefálica fechado, que deixa de ter as funções cerebrais de tronco-encefálico viáveis. O diagnóstico, segundo ela, se dá a partir de três testes, sendo dois clínicos, realizados por médicos diferentes e experientes, e um de imagem.

Setembro Verde

A campanha nacional que mobiliza a sociedade para a doação de órgãos e tecidos se estenderá até o dia 30 de setembro, quando os Arcos da Orla serão iluminados de Verde, segundo informou Benito Fernandez, acrescentando que lá estarão as equipes da central de Transplantes de Sergipe, da OPO e do Banco de Olhos. “Juntos, vamos agradecer a Deus e à sociedade pelo lindo Setembro Verde que tivemos neste ano de 2021”, declarou.

Na sua avaliação, a campanha apresenta um balanço positivo. “Toda vez que a gente consegue ventilar o assunto, a sociedade responde muito favoravelmente, por isso nosso sonho é que todos os meses do ano sejam verdes, para que as pessoas tomem consciência do seu papel no processo, seja o profissional de saúde, instrumentalizado, realizando o diagnóstico, acolhendo os familiares, e a família, por sua vez, conhecendo os seus direitos, autorizando a doação de órgãos”, reforçou.

Benito Fernandez lembra que após a morte o corpo perece, entra em decomposição e neste caso, não há benefício para outros que ficam e aguardam na fila pela oportunidade de uma nova vida. Destaca que quando a doação é feita, um pedaço do doador fica em alguém e promove melhor qualidade de vida para aquele que recebeu um órgão ou um tecido humano. “Isso sim, faz sentido para mim”, disse.

Fernandes informou que há atualmente no Brasil 46 mil pessoas inscritas na lista de espera por um órgão, sendo que destes, mais de 26 mil aguardam por um rim, o que indica que a insuficiência renal crônica é um problema sério no Brasil, em Sergipe e no mundo. “Daí o nosso anseio para que o Hospital Universitário realmente comece a fazer o transplante renal aqui em Aracaju”, exprimiu.

Informou que o processo está praticamente finalizado no quer tange a parte legal, que o Hospital Universitário está habilitado pelo Ministério da Saúde desde o ano passado e que o HU está contratualizado pelo município de Aracaju para fazer o transplante, mas que a equipe médica está concluindo a tutoria e em outubro segue para treinamento no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Realidade local

Sergipe tem atualmente mais de 1.300 pacientes fazendo alguma modalidade de hemodiálise e, considerando que entre 40% e 50% estejam inscritos para transplantes, há cerca de 650 pessoas esperando por um rim em Sergipe. A Organização Brasileira de Transplantes de Órgãos estima que no Estado há uma necessidade anual de 18 transplantes de coração e 18 de pulmão. “Então a gente precisa realmente começar a tratar os sergipanos aqui no Estado, próximo da família, próximo dos amigos, para que a pessoa tenha uma recuperação melhor. Quando o paciente vai para outro Estado fica longe dos entes queridos e isso influencia na recuperação”, expressou.

Atualmente, o único transplante que Sergipe realiza é o de córnea, como salientou Benito Fernandez, acrescentando que apesar disso, houve queda na doação do órgão, ampliando em muito o tempo de espera pelo transplante. Em 2019, esse tempo era de nove meses. Agora, de dois anos e meio. “A gente precisa oferecer à família a oportunidade da doação porque não era para termos fila, mas estoque de córnea”, concluiu Benito Fernandez.