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Familiares de socioeducandos do Casem participam de sessão de Yoga do Riso
Atividade para aproximar as famílias da unidade incluiu debate sobre prevenção ao suicídio
Quinta-Feira, 26 de Setembro de 2019

A Comunidade de Atendimento Socioeducativo Masculina (Casem), localizada em Nossa Senhora do Socorro, realizou uma programação especial, voltada para incentivar uma maior aproximação das famílias dos adolescentes com a unidade de medidas socioeducativas. As mães participaram de uma sessão especial de Yoga do Riso liderada pela instrutora Aline Soares. Realizada na unidade administrada pela Fundação Renascer, a atividade e trouxe também diálogos sobre a campanha Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

A instrutora do Yoga do Riso destacou que a técnica surgiu em 1995, na Índia, e une o riso às terapias tradicionais, como exercícios de respiração e meditação. “A atividade gera diversos benefícios, promovendo a oxigenação do cérebro e liberando os hormônios do bem: endorfina e serotonina. Esta experiência foi muito bacana. A maioria das pessoas que estão aqui são mulheres, mães e irmãs dos adolescentes, que puderam se desprender um pouco da tristeza, da vergonha, do sentimento de culpa que sentem por ter um familiar em liberdade privada. Foi uma atividade integrativa, na qual trabalhamos a questão do suicídio, pois são pessoas com extremo sofrimento emocional, e o riso veio para tirar um pouco desse peso”, disse Aline Soares.

Mãe de um dos adolescentes, Adriana Bezerra dos Santos contou que a atividade mudou a sua energia. “Estou com princípio de depressão e participar desta experiência melhorou o meu ânimo cerca de 80%. Saí de casa angustiada e quando cheguei aqui esqueci os problemas. Eu venho sempre em todas as atividades que a Casem realiza com os familiares. Não falto nenhum mês. E sempre saio mais leve quando venho e escuto as palestras. Gostei muito da yoga do riso. Eu não sou muito de rir, sou mais de chorar, mas o riso saiu fácil. Foi muito divertido hoje”, disse Adriana.

Outra mãe que também participou da atividade foi a vendedora J. P. S., de 34 anos, que ressaltou o pesar das mães por seus filhos cumprirem medidas socioeducativas. “Estou um pouco triste, não esperava passar por isso, mas tenho tentado ficar forte. O tema trazido hoje foi fundamental, pois cada uma de nós, mães, se sente culpada pelo filho estar aqui. Tudo na vida é aprendizado. Acho bacana estarmos mais próximas aos nossos filhos. A gente dá força para eles e eles nos dão força também. Apesar do motivo triste que o trouxe até aqui, gostei muito da estrutura oferecida, e é tudo muito organizado. Fico feliz por ele estar estudando aqui. Vai fazer a prova do Encceja [Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos] e sairá daqui com o ensino médio concluído”, relatou.

Encontros Mensais

Uma vez por mês, a Casem realiza um encontro com os familiares dos adolescentes acolhidos, como conta o diretor da unidade, Rodrigo Oliveira da Silva. “Todos os meses fazemos atividades para tentar trazer os familiares para conhecer a unidade, o sistema e o cotidiano do adolescente. A rotina deles inclui estudo em sala de aula, onde 44 alunos participarão do Encceja do nível fundamental e médio, e, além disso, temos oficinas de capoeira e teatro. Hoje o tema do encontro foi o ‘setembro amarelo’, pois a família precisa ter esse conhecimento para a prevenção ao suicídio. Muitos deles não tinham tanta proximidade com a família lá fora e é isso que estamos tentando resgatar”.

A manicure Thaís Moura é a irmã mais velha de um dos adolescentes acolhidos e disse que as reuniões mensais geram mais conhecimento sobre o sistema socioeducativo. “Eu costumo vir sempre às palestras. Eu achei ótima a proposta de hoje, pois teve abraços, risadas, foi muito bom. Sempre que a gente vem aqui, sente como se essa visita fosse um momento tenso. A experiência de hoje foi boa para nos aproximarmos dos funcionários que trabalham aqui. É sempre bom que tenhamos essa interação, pois desenvolve o respeito”, avaliou.

A assistente social da Fundação Renascer, Érica Aragão, explica que as atividades com os familiares nas unidades têm o objetivo de criar uma rede de apoio ao adolescente. “As reuniões são realizadas mensalmente para aproximar as famílias no processo socioeducativo. Essa aproximação cria uma relação de confiança e fazemos questão que todas as equipes também participem, da saúde, da limpeza, da segurança, do administrativo, para tranquilizar os familiares sobre como nós trabalhamos e para que eles saibam que os filhos deles estão sendo bem cuidados. Percebemos que, a cada mês, vem mais pessoas”, concluiu.