Conhecida como a Capital da Cultura Popular Sergipana, Laranjeiras reuniu manifestações artísticas diversas durante o 51º Simpósio do Encontro Cultural de Laranjeiras, que chegou ao último dia de atividades neste sábado, 10. Ao longo da programação, realizada no auditório da Universidade Federal de Sergipe (UFS) - Campus Laranjeiras - apresentações culturais passaram a ocupar também os intervalos entre as mesas de debate, que ocorreram nos turnos da manhã e tarde. Além das discussões acadêmicas, o Simpósio abriu espaço para apresentações de grupos folclóricos, pocket shows, espetáculo teatral e declamações de poemas.
O evento é realizado pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria Especial da Cultura (Secult) e da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), com organização do Conselho Estadual de Cultura, apoio do Banese e parceria da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Nesta edição, o Simpósio teve como eixo temático Folkcomunicação: É de Ponta de Pé, É de Calcanhar, abordando os modos como grupos folclóricos preservam e transmitem saberes por meio da música, da dança, da religiosidade e da oralidade. Entre os exemplos discutidos estiveram manifestações como o Cacumbi Mirim e o São Gonçalo, expressões centrais da identidade cultural sergipana.
A abertura da programação cultural contou com a apresentação do grupo homenageado da edição, o São Gonçalo de Amarante, da comunidade da Mussuca. O atual patrão, mestre Neilton Santana, neto do antigo mestre Seu Sales, integra o São Gonçalo desde os 9 anos de idade.
“Foi um momento inesquecível para o nosso grupo. Sabemos que o Simpósio é uma peça-chave para o Encontro Cultural e viemos abrilhantar a abertura deste evento justamente para mostrar que a cultura é viva, ela respira aqui em Laranjeiras”, afirmou o mestre Neilton.
Pocket Shows
A programação cultural se estendeu também para fora do auditório, com pocket shows de artistas sergipanos em diferentes linguagens musicais. Passaram pelo Simpósio nomes como Rural do Forró, Anne Carol, Ciel Santos, Hot Black, Nino Karvan e a banda Pífano Esquenta Muié.
Para o cantor Nino Karvan, participar do evento teve um significado especial. “É sempre um prazer imenso tocar neste tipo de evento cultural, um evento que festeja as nossas tradições, o legado dos nossos ancestrais. Poder trazer a minha música para esse evento com tanta história é uma alegria muito grande. Fico feliz com essa ampliação das atividades, com essas possibilidades de realização de shows”, disse.
À frente do grupo Rural do Forró, Bob Lelis também destacou a experiência de se apresentar no Simpósio. “A minha experiência foi maravilhosa. O Simpósio é um ambiente onde se pode discutir e compartilhar conhecimento, não só o teórico e científico, mas o prático também. Laranjeiras é uma cidade que respira cultura, acolhe artistas, e fiquei feliz por estar presente mostrando a minha arte e assistindo às apresentações de outros artistas. Isso só enriquece, porque é uma comunhão de ações que fortalecem a cultura sergipana”, afirmou.
Teatro
A programação incluiu ainda o espetáculo Ópera do Milho, criado em 1996 por iniciativa da professora Aglaé Fontes. A montagem aborda aspectos da sergipanidade por meio de um estilo próprio, com máscaras e interação direta com o público. Retomado em 2023, com produção do grupo Imbuaça, o mais antigo grupo de teatro de rua do Brasil em atividade ininterrupta, o espetáculo já circulou por diversos municípios sergipanos.
“A recepção foi excelente, principalmente entre os convidados que participaram deste evento tão importante para as culturas populares do Brasil. Nosso espetáculo, que completa 30 anos, traz marcas desse diálogo entre o medievo e o contemporâneo, fundamentais para a sua construção. A história aborda um relacionamento entre dois jovens e atravessa crendices populares ligadas aos santos juninos, expondo questões que ainda dialogam muito com o público”, Declarou o diretor do espetáculo, Lindolfo Amaral.